domingo, 3 de junho de 2007

Sobre o mundo que te faz feliz - parte II (do tempo que pode voltar)


Os "x" vermelhos marcados no enorme calendário pendurado na parede do quarto mostravam que o dia havia chegado. O coração saltava. Ela comemorava em silêncio. O tempo era só dela, que se sentia de novo a menina de onze anos de idade como um dia ja fora, anciosa pelo vestido e os sapatinhos brancos de missa de domingo (não que ela gostasse tanto assim de missa, mas "ele" estaria lá).
A menina grande que se tornara já não precisava esperar pelos cultos de domingo; os sapatinhos brancos eram agora vermelhos; o vestido doce era então qualquer coisa que a deixasse confortável; os olhos eram os mesmos, ainda brilhavam como da primeira vez que o viu brincando na praça vestindo aquelas adoráveis calças curtas. Será que ele se lembraria dos sapatinhos brancos? Talvez lembraria do laço de fita cor-de-rosa que prendia a cintura do vestidinho dela (pegou o laço que ainda guaradava e colocou-o cuidadosamente na bolsa). Junto às inúmeras dúvidas infantis que percorriam a cabeça, uma a assustava: "E se ele não gostar de mim agora?!"
Olhou-se mais uma vez no espelho, certificando-se de que estava tudo em ordem, mirou o calendário novamente, fechou os olhos, suspirou.
"Ele voltou."
Luz apagada, duas voltas na fechadura. Segurando o coração, ia ela ao encontro do que jurou não perder jamais.

3 comentários:

  1. Lindo texto, muito bem escrito. Possui uma sensibilidade confortante, um toque de sutileza peculiar atribuídos a uma futura escritora de bastante renome e um talanto inquestionável.

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  2. Poxa, parabens pelos textos... vc tem futuro, se não desfruta da fama ja... continue...

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